Boêmios do Asfalto no Olinda Moto Fest


Olinda, fim de semana, noite quente de chuva, motoqueiros usando capacetes, viseiras, calças apertadas e coletes escuros saindo de suas garagens, todos chegando à Praça do Carmo, o palco do Olinda Moto Fest. O evento foi realizado de quinta (30/08) a domingo (02/09) e contou com um palco de shows, stands com marcas de clubes, praça de alimentação e exposição de modelos de motocicletas.

Na noite de quinta, a praça estava amontoado de coletes pretos, caras de semblante fechado, barbas de piratas e o rock ecoando na cidade do farol. Mas, em contra ponto, o rock era cristão, a cerveja, de muitos, era zero álcool e o sorriso espontâneo. Nem parecia os mesmos caras que fazem barulho costurando o trânsito noite após noite, sentados em bancos baixos de seus cavalos de ferro, como os motoqueiros dos Hell’s Angels da Califórnia.

Encontrei uns integrantes Boêmios do Asfalto de pé assistindo ao show, bebendo sua cerveja zero e de papo pro ar. “Apesar da vontade, hoje é dia de pilotar, então vai de zero mesmo”, comentou o boêmio Mazinho.
Diego Silvestre, mais conhecido como Buiú, é o presidente dos Boêmios do Asfalto, fundou o clube em maio desse ano, desde então, pilota com os membros nas estradas que a vida proporciona.
“Sempre tive a vontade de participar de um moto clube, comprei uma moto e estudei a possibilidade de entrar em um, porém, depois de refletir um pouco, decidi abrir meu próprio moto clube, com uma filosofia mais tranqüila, sem conflitos, um clube de bandeira branca,”, afirma o presidente.

Diego ligou para Mazinho, que topou de cara a ideia, eles concordaram que o nome tinha que remeter à cidade de Olinda, noite, bebidas alcoólicas e amigos.
“Boêmios do Asfalto, é perfeito para nós”, falou orgulhoso Mazinho, “mistura tudo que gostamos e vivemos”.


Hoje, os boêmios têm 15 membros, formado por presidentes, membros oficiais (boêmios), aspirantes (pândegos) e simpatizantes.
“Nós somos as raparigas dos clubes de motociclistas, quem quiser entrar no grupo é só entrar em contato nas redes sociais, você entra como pândego e depois de mais ou menos um ano, se torna um boêmio. Se não tiver moto e gosta de participar dos movimentos, gosta da irmandade, pode entrar também.”; declarou o presidente Diego.
Os Boêmios do Asfalto vai fazer uma assembléia em breve para oficializar o seu nome no cartório, tem o desejo de abrir um bar sede para ter um local oficial para receber membros e amigos.

Em algum momento de sua vida você já foi fisgado pela vontade de pertencer a um grupo, experimentar a liberdade em um furacão de duas rodas e partir sem destino, mas nem todos têm a coragem de concretizar. Mas todos sabem que para cada barulho de motor há um selvagem ou boêmio e para cada boêmio há uma garrafa e uma estrada.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por um Brasil sem fome

A democracia de palanque, uma análise revolucionária sobre Guilherme Boulos