A crise do Niilista e do religioso em Olinda
O mundo é dividido em um infinito
de contradições. Brigamos por paixões, beijamos por ganância, matamos por
bandeiras. Vivemos em uma guerra de ponto de vista, a guerra da imposição. Eu confesso que minha mente e meu coração é um
borbulhar de fogo e tempestade, de pecados e desejos.
Em uma tarde ensolarada, em
Olinda, subi a Ladeira da Misericórdia para buscar o sentido e o algoz nas
profundezas da minha alma. Cheguei à Catedral da Sé, que foi levantada entre
1535 e 1540, dedicado a Jesus Cristo como salvador do mundo. Encontrei um
religioso, de capuz, como representasse Frei Antônio Barreto, responsável pela
construção da capela e terceiro Bispo do Brasil. Aproximei-me e perguntei qual
o sentido da vida. “É a vida eterna”, explicou. “Mas por que tanto
sofrimento?”, insisti. “A recompensa dos que sofrem será a eternidade, o gozo
da vida eterna.” Respondeu o religioso.
Para ele, a mudança é pós morte,
a vida é só uma fase que devemos nos abdicar para o que realmente importa. O
religioso é conservador, de certa forma, conformado, sua preocupação é
espiritual.
A chuva é passageira, o sol não
vai brilhar para sempre, só que vai nos restar é o pó, então por que pensamos
de mais? Por que tudo tem que ser um esforço tremendo?
Encontrei um niilista em um bar
em Olinda, após um copo e outro, uns trago de cigarro, perguntei qual o sentido
da vida. “Não há sentido, somos poeiras jogados ao acaso,”, respondeu de forma
blasé. “Mas há tanto sofrimento, tanta fome, qual o sentido disso?”, insisti.
“O homem é o lobo do homem, já
dizia Thomas Hobbes”, debochou o niilista.
Diferente do religioso, para o
niilista a mudança é feita aqui, a vida é para ser plena, feliz e proveitosa,
pois ela é tudo que temos. Mas quando o niilista não percebe que a fome do
agora acaba, que a fonte da vida seca e ele acaba se abdicando de lutar pelo
que o oprime, se torna estável, cansado e conformado com sua realidade, quando
acaba a vontade de transformar ele se torna conservador, assim como o
religioso.
Então, senti que não adianta a cor ou a marca
dos sapatos, os buracos do chão é para todos. Para resistir diariamente
necessitamos de uma espadas e granadas por trás de nossos escudos. Percebi que
o que divide as pessoas também é o motivo que os une.
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