Uma cerveja antes ou depois do almoço é muito bom
















Batedeira Gonzo visita o primeiro Festival de Cerveja Artesanal de Olinda

     Em agosto é, teoricamente, inverno em Olinda. Mas não se vê casacos ou guarda chuvas espalhados pela cidade. Pelo contrário, o sol queima nas calçadas da zoolinda e faz suas paredes coloridas pingarem de suor. Dia perfeito para comprar três latões de cerveja barata esperando o sol baixar (como se fosse possível) no mercadinho dos Quatro Cantos conversando sobre qualquer coisa.
Mas não hoje, nesse sábado (11) está acontecendo o segundo dia da primeira edição do Festival de Cerveja Artesanal de Olinda, na Praça do Carmo, dia de provar cerveja diferenciada e, por que não dizer? Atípica.

     Fim de tarde, 17 horas para ser mais exato, o sol fervia nas ruas. O evento começa pontualmente às 16, decidi chegar cedo para aproveitar a degustação em meio aos caos do inverno quente olindance.

Os estandes que estavam montados na praça deixavam o calor mais intenso, era normal ver as pessoas com copos nas mãos e o suor escorrendo pelas bochechas. De frente aos estandes, contava 18 novas marcas de cervejas artesanais, havia um palco onde rolaria, logo mais, umas bandas para animar o público embriagado, mas por hora, a voz irritante do apresentador tomava conta do local fazendo algumas pessoas, inclusive eu, pedirem mentalmente para desligar a caixa de som para bebermos em paz.


Encontrando a Fonte

   Primeira coisa que me chamou a atenção foi a escondida e solitária máquina de engenho de bebidas destiladas, uma aparelhagem enorme que faz todo o processo da fabricação da vodca, rum e cachaça ficar pronta em 24 horas. Deixei de lado, pois não ia esperar um dia inteiro para beber, então decidi provar algumas cervejas prontas para ser consumidas.

A primeira cerveja que provei foi a De Bron Bier, que em português significa “a Fonte”. A debron traz seis tipos de cervejas artesanais, larger, Witbier, Ipa, Vienna, Golden Ale e, a que experimentei, Weizen. Escolhi Weizen pelo nome incomum e por ter um leve gosto de banana, cravo da índia e noz moscada. Uma cerveja aromatizada e incorpada, altamente carbonatada, com coloração alta, e o melhor, 5,0% de teor alcoólico, com dois copos, uma cerveja pesada como essa, faz a cabeça de qualquer cidadão.
De barraca em barraca experimentei cerveja com amora, com banana e a pior de todas, com café. Não sou muito chegado a café, ao experimentar essa mistura exótica, passei a odiar, ainda mais, a cafeína por ter estragado a melhor invenção da sociedade: A cerveja. Há receitas que parecem ser uma boa ideia, mas na prática não funcionam, foi o caso dessa engenhoca bizarra.

Oh linda cerveja

Muitas pessoas desfilavam com seus copos de cervejas exóticas nas mãos, pela quantidade que vi, a Alamoa Chopp, da Ilha de Fernando de Noronha, responsável por fazer Chopp de vinho, fez sucesso. Muitas pessoas, inclusive senhoras, bebiam várias canecas de cervejas de cor avermelhada.  Apegado ao populismo, decidi tomar uma dose, meu estômago virou e imaginei vomitando litros e litros desse líquido vermelho e com gosto de remédio para asma. Sem pensar duas vezes, voltei ao bom e velho lúpulo e cevada,  porque em time que se ganha não se meche.
Deixei o melhor para o final, a criatividade da Cerveja “Quatro Cantos” me seduziu e colocou meu fígado a prova. Cada estilo de cerveja tinha um nome de uma Rua do Sítio Histórico de Olinda. Eis que surgem as cervejas: Amparo, Ribeira, Prudente e Misericórdia.  Pelo nome, adivinhei que a Misericórdia seria a mais forte, acertei em cheio. A ladeira que tive o prazer e o desprazer de subir várias vezes, agora era o nome da cerveja que descia a ladeira da minha garganta, e para a minha não surpresa, era gostosa.

Em 1637, o conde Maurício de Nassau aportou em Pernambuco e com ele trouxe o mestre cervejeiro Dirck. A partir daí, em 1640, o Brasil ganhou sua primeira cervejaria que foi inaugurada na casa de Mauricio de Nassau, chamada de “La Fontaine”. Cá estou eu, em 2018, 375 anos depois, degustando e aproveitando o que tem de melhor na arte cervejeira, não importa a estação do ano, o tempo, ou a hora, cerveja boa é aquela que te deixa pensando melhor.

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