Por um Brasil sem fome
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| Ação Sabiá 25 Anos |
O batedeira gonzo foi ao pátio de São Pedro conferir o evento da ONG Ação Sabiá, que comemorou 25 anos de luta no último 25 de julho, confira:
Quando colocamos em nosso prato aquele bife suculento ou maravilhosas verduras coloridas, não fazemos ideia da quantidade de veneno, quero dizer agrotóxico, que consumimos a cada refeição.
É comum pensarmos quando a fome ataca: "O que botar no meu prato eu como", não que seja bom passar fome, mas há pessoas que vão na contra mão desse pensamento. É o caso do Movimento Agroecológico do Brasil, que incentiva as famílias agrícolas a desenvolverem formas de produção de alimentos sustentáveis.
Quem trabalha nessa área de Sistema Agroflorestais (SAFS) em Pernambuco, junto às famílias agricultores do estado é a ONG Centro Sabiá, que celebrou seus 25 anos, no bairro de Santo Antônio, Patio de São Pedro, Recife, no último dia 25 de julho. Onde fui embalado, procurando respostas sobre a fome que assola o país contraste ao nosso prato nada sustentável de cada dia
Hora da saída estratégica
Desembarquei no Pátio de São Pedro no início da tarde para contemplar o evento do Centro Sabiá que tinha como titulo: "Ocupe campo e cidade - Não quero mais fome no meu país". De acordo com o Banco Mundial cerca de 28,6 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza entre 2004 e 2014, mas também avalia que em 2016, entre 2,5 milhões e 3,6 voltaram a viver ao nível de pobreza. O número são alarmantes, mas nada que abale a Ação Sabiá que visa uma saída alternativa para o problema, que seria a agroecologia.
O maravilhoso óculos de pedra
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| Moacir Correa e seus óculos de pedra |
O pátio estava tomada por barracas que visavam alternativas para a conservação do meio ambiente, seja com comidas, camisas ou materiais artísticos. Foi nesse caos sustentável que conheci o artista Moacir Correa, 38, de Rio Formoso, trabalhador artesanal e apaixonado por arte e cultura. "Precisamos preservar a cultura a qualquer custo," afirma categoricamente. Curioso, dou uma olhada em seu trabalho e um em específico me chama a atenção, era um óculos grande, batizado por ele mesmo de "óculos de pedra". Segundo ele, pessoas que atropelam outras ou a natureza em busca de poder e dinheiro estão com uma visão limitada, usam os óculos de pedra sem saber. "Conheço muita gente assim Moacir, mesmo que saibam que usam esse óculos não tiram por nada", falei em tom de tristeza.
Me distanciei um pouco do buruçu verde e troquei um papo com Carlos Magno, coordenador técnico pedagógico da Ação Sabiá. Segundo ele, a ONG faz uma assessoria técnica de pedagogia aos agricultores familiares de Pernambuco para que façam uma produção mais sustentável.
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| Carlos Magno, coordenador técnico pedagógico da Ação Sabiá |
Carlos, assim como eu, observa que cada vez mais o número de pessoas no trabalho informal cresce, seja vendendo "póca" ou pedindo dinheiro. " Essas pessoas na rua são um indicativo que a fome está voltando ao país e o tema do evento é para fazer as pessoas refletirem sobre suas consequências. "Porque a sociedade sabe que a fome existe, mas não gosta de falar sobre," afirmou Carlos.
Com essa reflexão, cada vez mais dei razão ao senhor Moacir, as pessoas preferem usar os óculos de pedra do que enxergar as consequências de um mundo desigual ao seu redor.
Bruno Ferreira



Nem pude ir Bruno, ainda não estava em condições de sair. Amei seu texto e essa questão da fome me levou para meu passado, minha Monografia era assim que chamavam na época o tão falado TCC de hoje. A minha teve como tema " A questão social da fome" , resolvi criar meus filhos, mas nunca esqueci o assunto, apesar de vez por outra escutar que está fora do contexto atual falar sobre a fome. Não sei se fiquei no passado , mas não consigo me encaixar em contextos que excluem as necessidades básicas dos indivíduos , principalmente por essas carências serem geradas pelo grande capitalismo . Parabéns pelo texto, parabéns pela iniciativa do Centro Sabiá.
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